eu não sou como os outros
eu sou eu
e é do que suficiente
para entreter alguém
Bénédicte Houart in Reconhecimento
sábado, 16 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
fellini 8 1/2
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
sei contar por ordem alfabética
a. escrevo sob pseudónimomas no meu blogue pensam que eu sou real
mil pessoas visitaram-me
virtualmente
acredito que uma delas
foi deus
b. percebi pelo comentário em branco
c. 03-01-1978
na cama 13 do quarto 23
na cama 13 do quarto 23
d. nunca fui picada pela vespa
tenho-a submissa
acorrentada ao poste
gasta pouco para me levar à piscina
tenho-a submissa
acorrentada ao poste
gasta pouco para me levar à piscina
e. na pochette zero €€€€€€€€€€€€€€€€€
€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€
s
€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€
s
f. eu ainda não fui baptizada
os meus pais
esperam
que escolha
a minha religião
os meus pais
esperam
que escolha
a minha religião
g. sou divorciada gay
assim que sair o decreto
h. ofereço porrada a quem conseguir ler o meu nome
na carta de condução
Z. o alfabeto
não é infinito
como o universo
não é infinito
como o universo
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
martelar os dedos

Vi ontem, o filme do jovem realizador norte-americano, Afterschool. Magnífico. Com uma linguagem visual apuradísima e forte noção do tempo das cenas, o realizador/autor Antonio Campos, mergulha-nos na realidade contemporânea da arca-frigorífica.
O filme explora a problemática do real. Cresci a ver filmes no cinema e na tv e a deixar-me influenciar por eles. Assistir ao Rocky IV e sair de lá a tentar lutar com os amigos e colegas era normal. Assistir a filmes românticos e tentar encontrar rapidamente um alvo depositário desses pensamentos amorosos, fazia parte do periodo da nossa vida onde as hormonas saltitam livres. E tudo tinha uma enorme intensidade, porque a ficção excitava-nos. A esta geração não lhes basta os filmes, a dose de realidade exigida tem de ser superior. Esta geração (digo esta, porque já não é a minha, não tenho qualquer sentido moral sobre isso), procura nos mini-filmes do youtube a Realidade. Já nem a pornografia os excita particularmente, tem de ser uma pornografia que pareça real. E infelizmente, os espancamentos parecem sempre mais reais que o amor. É assustador pensar que esta malta anda (como disse o meu companheiro) "à procura da realidade na virtualidade".
As buscas dos vídeos no youtube, vão desde gatinhos a cair do sofá ao enforcamento de Saddam Hussein, a premissa é que seja "real".
A Internet, é sem dúvida, uma excelente caixa de ferramentas, mas cuidado com os martelos. Em pleno século XXI, não percebemos ainda que martelar um dedo aleija?
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Dejá vu repetitivo ou processo de criação

Li algures que as conversas têm três níveis: pessoas, factos ou ideias, embora a maior parte das vezes não se passe do primeiro nível. Acredito piamente que a nossa identidade reside sobretudo na palavra e na sua enunciação, pois só aqui se nos coloca o conceito da verdade, não se diz falso o ladrar de um cão ou o chilrear de um pássaro, mas à palavra cabe-lhe essa tarefa árdua de encontrar o puro. (...)Repetir é recordar para a frente e para trás mija a burra(...) José Maria Vieira Mendes in A Minha Mulher. Podemos constatar que é através do processo de repetição que o Homem cria e valida a sua identidade. Se não repetissemos os mesmos gestos e entoações como poderiam(os) reconhecer-nos? O mesmo se passa com a História, os acontecimentos trágicos ou "eufóricos" não são meros dejá vus repetitivos? E não continuamos a cometer consecutivamente os mesmos erros? Segundo Slavoj Zizek, o processo de aparição/criação é produto de um mero engano e (digo eu), o erro só surge quando tentamos repetir algo. O mesmo sistema de repetição se aplica ao actor e ao processo de interiorização e vivência de um texto. Só pela repetição chegamos mais longe, ao erro, ao nosso "eu" mais interior e que até à data se tinha revelado inacessível.
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