
sábado, 30 de janeiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

rebaptizemos o planeta
enquanto camiões levam areia para longe
e tentam livrar-se dela
não temos sítio para o orgânico
desculpem
o lodo não combina com o acrílico
sejamos honestos
não há espaço para o biológico
até parece uma coisa inventada pelos supermercados da especialidade
qualquer dia
mudamos de casa
mudamos de nome
mudamos
este país que é a terra toda
o lodo não combina com o acrílico
sejamos honestos
não há espaço para o biológico
até parece uma coisa inventada pelos supermercados da especialidade
qualquer dia
mudamos de casa
mudamos de nome
mudamos
este país que é a terra toda
chamemos-lhe antes cimento
que é mais apropriado
ou betão
o terceiro esgoto a contar da luz
lama
não há sítio para ela
nem crematório que arda por inteiro esta bola de fungo
que é mais apropriado
ou betão
o terceiro esgoto a contar da luz
lama
não há sítio para ela
nem crematório que arda por inteiro esta bola de fungo
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
checa

assisti recentemente ao Baile dos Bombeiros de Milos Forman. da checa, só conhecia o Kundera que me facultou um fascínio por Praga, pois desde que o li aos dezasseis anos na Insustentável Leveza do Ser, fiquei cheia de vontade de voar para lá. há qualquer coisa de tuga naquela gente, uma rudeza na pele, no tom grave da voz e ao mesmo tempo uma cumplicidade constante entre as multidões, uma relação bruta, física, como se vivessemos permanentemente nas festas dos santos populares. encontrões e gritaria, assinalam a nossa felicidade, sobretudo se associados ao álcool e ao apalpão. não é necessariamente uma coisa sexual, é apenas uma espécie de masculino-que-gosta-de-apalpar-e-fugir versus feminino-que-grita-e-ri-deliciado. da checa pouco conheço, mas neste baile do forman(uma das obras-primas da nouvelle vague, nomeada para um óscar) pude ver como o fogo real se manifesta nas pessoas dos países mais frios e como esse incêndio emocional é comum a qualquer ser humano, em qualquer ponto terrestre. e como a sátira social se manifesta de forma mordaz nos países do 3º mundo da europa, mascarada de concurso de beleza.
novo ou novíssimo?

Creio que a disparidade etária que marca o reconhecimento de um artista, é típica de uma conjectura contemporânea, onde os prazos de validade existenciais são tão variáveis quanto as arcas frigoríficas de cada um. Ou seja, não há idades marcadas para se ser reconhecido, tanto pode ser aos 30 como aos 60 anos. Nem depende unicamente da qualidade da obra. Define-se como novo, não aquilo que acabou de surgir, mas aquilo que se acaba de reconhecer, o que no fundo não é a mesma coisa. Lá porque nunca vi a mais bela árvore do meu jardim, não significa que ela tenha acabado de nascer e por isso a possa apelidar de nova. Contudo posso designá-la de novíssima, pois aos meus olhos é uma inovação na concepção do jardim. Para além do reconhecimento, falemos também do estilo. Se me puser com muito custo e jeito a plagiar saramagos e antunes, posso ser reconhecida como nova, emergente, mas novíssimo nunca será o meu estilo. Pois, os galhos escritos pelos escritores referidos, são há muito reconhecidos por todos.
Uma geração não é feita pelas datas registadas no bilhete de identidade, as mãos que escrevem no ínicio deste século são agrupadas e guiadas pelo divino melancólico. Acho eu.
Uma geração não é feita pelas datas registadas no bilhete de identidade, as mãos que escrevem no ínicio deste século são agrupadas e guiadas pelo divino melancólico. Acho eu.
domingo, 24 de janeiro de 2010
french kiss

nunca percebi o paradoxo da tradução inglesa: beijo francês. se os próprios franceses não dizem bisou français, nem o têm como pantente registada, porque razão os americanos rotulam de francesa, uma coisa tão orgânica como beijar com a língua? e o paradoxo está precisamente em dizê-lo na língua inglesa.
como é então o american kiss? ou o brasilian kiss? e será que o swedish kiss é apelidado de ikea kiss com sabor a almôndegas? em português, o linguado é um termo pescatório, por causa da proximidade ao mar ou apenas pela quantidade de portugueses que não tem a saúde dentária em dia? a verdade, é que os dentes pobres cheiram a peixe estragado, podre, já para não falar na analogia do bacalhau, pois é evidente a ligação a sexos mal lavados. Enfim, somos de facto um povo, virado para as coisas do mar.
curiosamente, o rapaz a quem dei o primeiro linguado (aos seis anos de idade), chamava-se sardinha (não porque cheirasse a peixe, só porque era estúpido que nem um carapau). E lembro-me perfeitamente de lhe ter dito que fosse lavar os dentes, porque me meteu um bocado de nojo a saliva alheia.
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