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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010


sentado à mesa de luz pendente


baralhas-me a cabeça sem os setes, os oitos e os noves

jogas-me à sueca e perdes sempre



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010


montar um texto na cena

é fazer sexo com as palavras

duro

controlando o ritmo e o tom

mas pensar pouco

muito pouco


cavalgar até ao clímax

explodindo sílabas da esquerda alta para a baixa

só quando se abre a porta do inconsciente

domingo, 31 de janeiro de 2010


nunca tinha sonhado que estava a voar e estreei-me esta noite no vôo onírico acompanhado. isto aconteceu precisamente na noite em que comemorei a existência da actriz que revela a maior verticalidade e altura, tanto na vida como na arte. como sou uma esotérica céptica, atríbuo tal acontecimento, a uma coincidência feliz, que tanto nos pode fazer ver analéptica ou prolepticamente.

durante o vôo, enquanto trocava parvoíces com o meu companheiro de asas, vi de relance um cão-aranha que saltava tranquilamente de telhado em telhado. não sei se estavamos em lisboa ou no mundo, apenas reconheço o plano subjectivo dos meus olhos. e isso basta-me.

sábado, 30 de janeiro de 2010







AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR vezes Infinito = ?





Lavoisier de um bilhete de amor

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010




rebaptizemos o planeta
enquanto camiões levam areia para longe
e tentam livrar-se dela
não temos sítio para o orgânico

desculpem
o lodo não combina com o acrílico
sejamos honestos
não há espaço para o biológico
até parece uma coisa inventada pelos supermercados da especialidade
qualquer dia
mudamos de casa
mudamos de nome
mudamos
este país que é a terra toda

chamemos-lhe antes cimento
que é mais apropriado
ou betão
o terceiro esgoto a contar da luz
lama
não há sítio para ela
nem crematório que arda por inteiro esta bola de fungo

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010



dirigir actrizes
é atear o pavio
de foguetes
rasgos festivos

essas pedras raras
lapidadas
a luzir de choro e riso

sou uma pirómana
de interiores

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010


A partir do espectáculo Hipólito do colectivo 84, Almada, 2009

chamas-me porco
e transformo-me em talho
onde se vende só comida junk-food
hipólito pequenino de auriculares
não ouve as obscenidades da mãe
shiu
silêncio é coisa que só no corpo existe