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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O onanismo é a nova geografia do mundo?

Existe algum momento que represente melhor o fluxo, do que o acto sexual solitário ou acompanhado? Penso que não. A forma de acedermos ao inconsciente é através da líbido, por isso um artista que funciona em fluxo, usa muito mais o corpo do que a mente. Também o cérebro é um orgão real, concreto e as ideias surgem de choques eléctricos entre as veias, tal como as sílabas que imprimimos no papel, inconscientes do momento da criação. O cérebro também é corpo. O corpo, sobretudo numa sociedade de consumo representa-se pelo sexo e não pelas relações, expressa a analogia entre a troca comercial e a sexual, que na nossa contemporaneidade, é a mesma coisa. O meu corpo é um objecto de troca, o meu sexo vale tanto como o meu cérebro, porque tudo é objectificado. Eis alguns dos príncipios primários: comer e foder. Em ambos, é também vísivel uma organicidade do racíocinio e a isso chamo fluxo. Longe de ser um racíocinio narrativo (pois a memória não funciona assim), o nosso cérebro é associativo ao criar. Os objectos associam-se de forma espontânea, orgânica. Falemos da revolução que não nos deixa livres no mundo e da guerra de estar fechado numa cozinha. Uma e outra falam do mesmo. O artista contemporâneo está em guerra com o corpo e em revolução com as palavras. Que avancem, ambas. Não queremos continuar enclausurados no onanismo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010


sentado à mesa de luz pendente


baralhas-me a cabeça sem os setes, os oitos e os noves

jogas-me à sueca e perdes sempre



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010


montar um texto na cena

é fazer sexo com as palavras

duro

controlando o ritmo e o tom

mas pensar pouco

muito pouco


cavalgar até ao clímax

explodindo sílabas da esquerda alta para a baixa

só quando se abre a porta do inconsciente

domingo, 31 de janeiro de 2010


nunca tinha sonhado que estava a voar e estreei-me esta noite no vôo onírico acompanhado. isto aconteceu precisamente na noite em que comemorei a existência da actriz que revela a maior verticalidade e altura, tanto na vida como na arte. como sou uma esotérica céptica, atríbuo tal acontecimento, a uma coincidência feliz, que tanto nos pode fazer ver analéptica ou prolepticamente.

durante o vôo, enquanto trocava parvoíces com o meu companheiro de asas, vi de relance um cão-aranha que saltava tranquilamente de telhado em telhado. não sei se estavamos em lisboa ou no mundo, apenas reconheço o plano subjectivo dos meus olhos. e isso basta-me.

sábado, 30 de janeiro de 2010







AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR vezes Infinito = ?





Lavoisier de um bilhete de amor

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010




rebaptizemos o planeta
enquanto camiões levam areia para longe
e tentam livrar-se dela
não temos sítio para o orgânico

desculpem
o lodo não combina com o acrílico
sejamos honestos
não há espaço para o biológico
até parece uma coisa inventada pelos supermercados da especialidade
qualquer dia
mudamos de casa
mudamos de nome
mudamos
este país que é a terra toda

chamemos-lhe antes cimento
que é mais apropriado
ou betão
o terceiro esgoto a contar da luz
lama
não há sítio para ela
nem crematório que arda por inteiro esta bola de fungo

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010



dirigir actrizes
é atear o pavio
de foguetes
rasgos festivos

essas pedras raras
lapidadas
a luzir de choro e riso

sou uma pirómana
de interiores