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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010




já fui ver ao dicionário



e até chorei


nunca pensei que fosse aquilo e aquilo matou-me




a sério



afinal estava enganada



dois turnos por dia dois turnos





e isto para quê?





devia ter fodido mais



já bebia um copo e depois saía daqui



eu saía daqui se conseguisse



eu é que não posso



não consigo não consigo não consigo




devia ter visto mais definições agora ainda não sei nada


mas também andamos todos ao mesmo


fim

com minúscula

do latim fine

singular masculino

termo limite remate alvo finalidade intenção morte

em conclusão para terminar finalmente por último finalmente


o que fazer agora? o que fazer?





Lídia in Poltrona- Monólogo para uma Mulher de Cláudia Lucas Chéu

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O onanismo é a nova geografia do mundo?

Existe algum momento que represente melhor o fluxo, do que o acto sexual solitário ou acompanhado? Penso que não. A forma de acedermos ao inconsciente é através da líbido, por isso um artista que funciona em fluxo, usa muito mais o corpo do que a mente. Também o cérebro é um orgão real, concreto e as ideias surgem de choques eléctricos entre as veias, tal como as sílabas que imprimimos no papel, inconscientes do momento da criação. O cérebro também é corpo. O corpo, sobretudo numa sociedade de consumo representa-se pelo sexo e não pelas relações, expressa a analogia entre a troca comercial e a sexual, que na nossa contemporaneidade, é a mesma coisa. O meu corpo é um objecto de troca, o meu sexo vale tanto como o meu cérebro, porque tudo é objectificado. Eis alguns dos príncipios primários: comer e foder. Em ambos, é também vísivel uma organicidade do racíocinio e a isso chamo fluxo. Longe de ser um racíocinio narrativo (pois a memória não funciona assim), o nosso cérebro é associativo ao criar. Os objectos associam-se de forma espontânea, orgânica. Falemos da revolução que não nos deixa livres no mundo e da guerra de estar fechado numa cozinha. Uma e outra falam do mesmo. O artista contemporâneo está em guerra com o corpo e em revolução com as palavras. Que avancem, ambas. Não queremos continuar enclausurados no onanismo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010


sentado à mesa de luz pendente


baralhas-me a cabeça sem os setes, os oitos e os noves

jogas-me à sueca e perdes sempre



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010


montar um texto na cena

é fazer sexo com as palavras

duro

controlando o ritmo e o tom

mas pensar pouco

muito pouco


cavalgar até ao clímax

explodindo sílabas da esquerda alta para a baixa

só quando se abre a porta do inconsciente

domingo, 31 de janeiro de 2010


nunca tinha sonhado que estava a voar e estreei-me esta noite no vôo onírico acompanhado. isto aconteceu precisamente na noite em que comemorei a existência da actriz que revela a maior verticalidade e altura, tanto na vida como na arte. como sou uma esotérica céptica, atríbuo tal acontecimento, a uma coincidência feliz, que tanto nos pode fazer ver analéptica ou prolepticamente.

durante o vôo, enquanto trocava parvoíces com o meu companheiro de asas, vi de relance um cão-aranha que saltava tranquilamente de telhado em telhado. não sei se estavamos em lisboa ou no mundo, apenas reconheço o plano subjectivo dos meus olhos. e isso basta-me.

sábado, 30 de janeiro de 2010







AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR


AMOR vezes Infinito = ?





Lavoisier de um bilhete de amor

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010




rebaptizemos o planeta
enquanto camiões levam areia para longe
e tentam livrar-se dela
não temos sítio para o orgânico

desculpem
o lodo não combina com o acrílico
sejamos honestos
não há espaço para o biológico
até parece uma coisa inventada pelos supermercados da especialidade
qualquer dia
mudamos de casa
mudamos de nome
mudamos
este país que é a terra toda

chamemos-lhe antes cimento
que é mais apropriado
ou betão
o terceiro esgoto a contar da luz
lama
não há sítio para ela
nem crematório que arda por inteiro esta bola de fungo