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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010


porque é que ainda se limpa a casa à mão? não há ainda uma máquina que faça tudo, um robot barato a bateria ou a pilhas que execute todas as tarefas domésticas eficientemente. é que não há paciência para limpar uma coisa que não tarda nada já está suja outra vez, cheias de carrapetas de porcaria, pó, ranço nas loiças do banho, teias-de-aranha, cotão. enfim, um sem número sujidades que nascem simplesmente da nossa vivência num espaço.

por enquanto a alternativa é contratar mão alheia, ser gentil e oferecer-lhe luvas que preservem sãs e santas tais entidades. eu já tenho as luvas, mas as mãos são as minhas. próprias.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010



a barata de kafka


gigantesca


enfaixada e contente


dentro da cena

sábado, 20 de fevereiro de 2010



fui eleita fui escolhida
sou a noiva bergariana
a prima donna do cinema sueco
sou a noiva bergariana
vou começar a arrumar a tralha toda
uma escova de cabelo
uma escova de dentes
um secador ou se calhar compro lá
eles lá têm o ikea
e o salmão
e o caviar
isto é que vai ser
o inicio
o despertar
antes do despertador tocar vou-me pôr a mexer
se me beliscam ainda apanho um susto
eu a nova musa
eu a boneca perversa do cinema sueco
eu eu eu






Cláudia Lucas Chéu in Mesa 4

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010


escrever para teatro

o que é isso?
grafittar a boca de cena com spray dourado?
pego na caneta e risco a pele
tatuo sílabas plo corpo todo

o cérebro explícito

primeiro na folha

depois na língua do actor

a palavra com cuspo

é isso que me interessa

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

moça prendada


tenho uns coullotes com rendas

herança do meu avô paterno

o polainas

só isto

uns coullotes

grandes gigantescos

parecem uma tenda

deduzo que minha bisavó fosse um elefante fêmea


sou a primogénita

fiquei com eles

e farei talvez

uns cortinados

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010




post it no espelho do quarto-de-banho:



b o a n o i t e










silêncio.



terça-feira, 16 de fevereiro de 2010


onde há corpo habita a lama
a dislexia da alma
não há lodo para enfiar as mãos
e sujá-las
na imagem és só desenho
sem o corpo nu debaixo da roupa
no écran
no outro lado da imagem
nunca te despes
e sem corpo existes

comprei-te pilhas e baterias de voz
sei que estás triste e um andróide não pode chorar
sei que queres fazer amor com saliva e suor a escorrer-te das bocas
não temos um quarto com paredes


na poesia visceral reside o vómito
a escatologia da palavra
é o veneno que vais tomar
e regurgitar de prazer
ao deixar uma nota
um bilhete
numa rede social a dizer
adeus

deixa-me então vinte anos agarrada à moldura
penélope sem filhos
sem reprodução possível que me salve
on line
na linha
sem agulha real para me coser
e emudecer sozinha