QUERO TRAGÉDIA, NÃO DRAMA
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sexta-feira, 2 de abril de 2010
esqueci-me de apontar as ideias num bloco
fugiram todas atadas num balão
e o meu cachorro comeu as páginas em rosa lisas
vou buscar amêndoas
e comê-las à fartazana
mas só as de chocolate
as de açúcar são rijas
e magoam as gengivas
quarta-feira, 31 de março de 2010
o artista cansado
deita a cabeça no braço do violino
cem mil pessoas a ver
mais duas câmaras frente ao palco
violinista reformado
barbudo
pousa o canino queixo
de beiços caídos
olhos fechados na primeira linha
dorme durante a paixão
são mateus
dorme tranquilo
à sua volta mais de duzentos músicos
em actividade
escarnecendo do sono
e o maestro coxo
são mateus
o maestro coxo navega na partitura
submerge
levita
até ao sagrado
dentro de bach estão todas as coisas que desconheço
segunda-feira, 29 de março de 2010
quero pensar na perfeição que não atingirei
e no riso do fracasso visto de cima para baixo
quero rir-me das teorias vendidas em receitas
e das contas em euros e bens partilhados
rir de boca aberta
num esgar
misto de cinismo e vontade
ah ah ah pujante
não há nada melhor do que o riso com os dentes todos expostos
mesmo cariados ou implantados vários
mesmo sem brancura
rir é mostrar os dentes todos
e atirar ar de volta ao espaço
sábado, 27 de março de 2010
diz-me qual é o ângulo morto da nossa estratégia romântica
não te apanho pelo retrovisor
nem virando o pescoço
a minha visão periférica não alcança o teu corpo
diz-me
qual é o ângulo vivo
e eu mudo de posição
sexta-feira, 26 de março de 2010
não leias significados
vê apenas palavras que vibram em contacto umas com as outras
impressões masturbando-se conjuntamente
as letras não significam porra nenhuma
são apenas folhas de papel sujas
lê as sílabas como números
algarismos abstractos de tinta
não está lá mais nada
concentra-te a ler cabeças
é essa pasta que interessa
a obra prima desta coisa que se chama natureza vida e tudo
quinta-feira, 25 de março de 2010
brecht a escrever
palavras viradas para este
a luz inunda a sala vazia
chapão de espanto
lá fora o cemitério silencioso
aguarda a sua chegada
no piso de baixo
na cozinha
a prima dona do teatro
fazendo doces
iguarias raras
e no quarto incomum
o charuto pinga cinzas na urna
quarta-feira, 24 de março de 2010
envelhecer é aloirar os cabelos
e ter sardas nas costas das mãos
hoje vi a velhice a folhear westerns de bolso no banco do fundo de um eléctrico
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