Heinrich não conseguia
precisar, quando é que passou de cliente a íntimo de Alba, mas talvez tenha sido
no primeiro dia em que adormeceu, depois de terem fornicado. Foi um sono tranquilo, quase inocente. Deixar o putímetro ligado enquanto se dorme, é talvez a melhor garantia, de que não vão acordar-nos tão cedo.
in Disparar Sobre os Humanos.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Alba era puta, e Heinrich orgulhava-se disso, sem
qualquer sentimento de proxeneta ou assim. Heinrich louvava as qualidades de
sobrevivente da sua amante, que era capaz de tudo para se manter à tona, e
agora, mais recentemente, ser a progenitora que sustentava e galvanizava a sua
cria. Alba era uma boa puta, sem dúvida.
in Disparar Sobre os Humanos
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segunda-feira, 30 de julho de 2012
Duna, estaria no silêncio do hospital, como se os técnicos de bata branca,
coreografassem diagnósticos para si. Heinrich sentiu-se contente, por Duna
não poder partilhar do ruído dos homens, da máquinas, de tudo, e ter o
privilégio de usar outros sentidos para escutar, sem ser pelos ouvidos. Não
havia coisa mais enganadora, do que usar - como nos forçaram a crer -, os sentidos
correspondentes, e tornar todas as percepções em coisas normalizadas.
in Disparar Sobre os Humanos
terça-feira, 24 de julho de 2012
Quando Alba era mais nova - pelo menos até ao final da adolescência -, a aquisição de coisas, era a forma de
tentar atingir um determinado ideal. Como se houvesse alguma ideologia nas
coisas e esta contaminasse a pessoa que as adquire: um casaco comunista, uma
estola de direita, ou mesmo, quem sabe, umas sandálias anarquistas. Material altamente
virulento, portanto.
Agora que amadurecera, Alba, acreditava na inocuidade das coisas. As ideias dos humanos é que estavam pesteadas.
in Disparar Sobre os Humanos
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Heinrich Zimmer estava convencido de que o
pai nunca o amara, pois só assim explicava, a sua frieza para consigo. O
mais estranho, é que essa era a única qualidade, que ele apreciava no pai: a transparência. Mesmo sendo seu pai, apesar de ser seu pai, era incapaz de lhe dar afecto, só por
obrigação desse laço parental, e Heinrich, agradecia-lhe essa verticalidade.
in Disparar Sobre os Humanos
terça-feira, 17 de julho de 2012
Heinrich, ao contrário do seu pai, achava que a natureza do homem era tendencialmente má,
pois os homens que eram bons, eram-no, apenas porque não tinham coragem
suficiente, para serem o que sonharam para si. Ele não suportava a extrema
benevolência, com que o seu pai – e a maior parte das pessoas que conhecia -,
observava os horrores do mundo, e os comentava como se não fosse nada consigo,
como se aquele Homem, não correspondesse a si próprio também. Thomas Zimmer
tinha uma tendência para desvalorizar as barbaridades cometidas pelos homens:
“O homem é mesmo assim, só pára de fazer merda,
quando o cheiro se torna demasiado insuportável.”
in Disparar Sobre os Humanos
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Franz
estancou a olhar para a prostituta Hela, estranha e esguia, que lhe tocava ao de
leve o enchumaço. Franz sentia-se ameaçado. O seu pai voltou a falar alto:
"Se
precisares de ajuda, entro convosco e mostro-te como é que se
faz. Conheço bem os cantos da casa da Hela."
Hela,
agarrou então Franz pela mão, e encaminhou-o para o quarto. "Não tenhas medo. Vais gozar, vais ver." - murmurou-lhe antes de fechar a porta.
Franz
completava treze anos nesse dia, e Hela, mal ou bem, e por breves
instantes, tinha-o feito gozar. Hela cheirava a fêmea, o que quer que seja que isto
signifique.
Franz saiu do quarto, com uma satisfação recente, mas foi novamente confrontado com o sarcasmo do pai:
"És mais rápido do que um tornado. Pena é que tenhas sido tu a ficar desfeito."
Franz saiu do quarto, com uma satisfação recente, mas foi novamente confrontado com o sarcasmo do pai:
"És mais rápido do que um tornado. Pena é que tenhas sido tu a ficar desfeito."
in Disparar Sobre os Humanos.
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