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terça-feira, 6 de novembro de 2012


DANTE DIZ QUE O CÉU CONDENA:

A   I n c o n t i n ê n c i a

A   M a l í c i a

A   B e s t i a l i d a de


C a l a – t e,   D a n t e.

O  c é u  é   a p e n a s   ar.

P o d e m o s  m i j a r  c á  p a r a  b a i x o,

p a r a   c i m a   d o s   t e u s   t e x t o s.

S o m o s  p e r v e r s o s.

S o m o s   i n s a c i á v e i s.

S o m o s   h u m a n o s.


parte deste texto foi projectado in O Festim - do fim das coisas nada sabemos.



sexta-feira, 26 de outubro de 2012


(fala para si próprio)

Põe os óculos escuros, cabrão, não vês que ainda ficas ceguinho,
já é de dia e tu `tás todo lost.
Assim é que é, vá aguenta-te,
tomar o pequeno almoço é coisa para meninos,
bebe mais um copo, escreve mais uma linha,
o que interessa é não começar amainar.
Oh yeah!
A festa só acaba quando nós quisermos.
Oh yeah! Confia em mim, im your brother.
`Tás a ouvir? Põe os óculos escuros, cabrão.






Não somos humanos,

ou então ser humano é isto,

uma bosta.

Não somos humanos,

somos monstros.

sábado, 6 de outubro de 2012

Imagina,
estás num túnel, apertado.
Não há luz, nenhuma, tens um isqueiro no bolso, mas não podes lá chegar, 
estás demasiado entalado e não consegues mexer as mãos.
Imagina, 
o túnel começa a encher aos poucos com água suja,
água do esgoto,
vais-te aguentando até ficares com um fiozinho de ar apenas.
Imagina, 
pões-te a imaginar que vais conseguir safar-te desta,
ainda não sabes como, 
mas vais safar-te,
imagina que o túnel, o esgoto, e toda a merda são a merda do onda parque,
e não tarda estás a deslizar,
não tarda estás a descer,
não tarda nadas noutra piscina, 
e tiras o isqueiro do bolso.


Cláudia Lucas Chéu

terça-feira, 28 de agosto de 2012


Heinrich sentou-se. Pensou como seria complicado, desobedecer a um pedido por escrito. Para além do trabalho maior de ter de responder na mesma moeda, ou seja, escrever uma resposta, havia algo de respeitável, solene mesmo, num pedido escrito, que não existia pela via da fala. Heinrich imaginou-se na cama com a ruiva  surda-muda. No silêncio não se podia fornicar uma pessoa, a ausência de som, exigiria da sua parte uma cópula mais subtil. Contudo, soltaria ela, a ruiva surda-muda, uns ruídos animalescos, sem se aperceber disso, na altura do coito? Heinrich, entusiasmou-se com a ideia de estar com uma mulher na cama, cuja linguagem fosse apenas a do corpo, e não, a da língua que fala.

in Disparar Sobre os Humanos

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Heinrich não conseguia precisar, quando é que passou de cliente a íntimo de Alba, mas talvez tenha sido no primeiro dia em que adormeceu, depois de terem fornicado. Foi um sono tranquilo, quase inocente. Deixar o putímetro ligado enquanto se dorme, é talvez a melhor garantia, de que não vão acordar-nos tão cedo.

in Disparar Sobre os Humanos.


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Alba era puta, e Heinrich orgulhava-se disso, sem qualquer sentimento de proxeneta ou assim. Heinrich louvava as qualidades de sobrevivente da sua amante, que era capaz de tudo para se manter à tona, e agora, mais recentemente, ser a progenitora que sustentava e galvanizava a sua cria. Alba era uma boa puta, sem dúvida.

in Disparar Sobre os Humanos