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sábado, 16 de abril de 2011



sou um guardanapo de linho
com as iniciais bordadas a branco
a minha existência é apenas uma textura invisível
que recolhe gordura dos lábios
amacia colos e peitos

desejo de candura e branco
numa santíssima refeição
aristocrático linho
soberano tecido na hierarquia do limpo

sou um acessório na tua mesa
o mais dispendioso dos pormenores
a minha presença notar-se-á no esquecimento
ninguém escreverá a tinta sobre a minha superfície
não sou de papel

LINHO MADE IN LINHÓ



segunda-feira, 4 de abril de 2011




Nunca usei um bibe de tafetá

Faço chazinhos de plástico e mastigo bolinhos invisíveis

Sou a Barbie vegetariana

Esta filha é nova

A antiga levou um tiro


Tenho pedra nos dentes mas rio-me mostrando os caninos

Uma vez matei uma mosca

quarta-feira, 30 de março de 2011


sou da estirpe das mulheres maduras
nada é irreflectido nos meus actos
aprendi a atar os sapatos
sozinha

contento-me com muito
há necessidades impossíveis de satisfazer

quinta-feira, 17 de março de 2011


dramatiker

sou um indivíduo que acato as ordens
um homem que não está desiludido com as pessoas
- elas fazem o que podem

o pai da inês sou eu
tenho uma ferida profunda no crânio

os filhos não são bolas de ping-pong
têm de estar fora do tabuleiro

uma vez escrevi
com amor
na dedicatória de um livro que lhe dei mas a minha cria não reparou

um beijo inês e quando tiveres oportunidade
dá-me um sinal que eu vou buscar-te


domingo, 27 de fevereiro de 2011


a menina da lapa
não escreve
apenas decora a folha

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011


Fala e Didascália estão sentadas na boca de cena.

Didascália - E se eu nunca dissesse nada?
Fala - Era óptimo.
Didascália - Sei que não aprecias no meu trabalho.
Fala - É bom que saibas que não mandas em mim.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011


tenho um único paradigma
na vida
um pai camponês
que nunca dormiu
nem sequer cabeceou

agora entendo
sou crescida e incrédula criatura