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quarta-feira, 24 de setembro de 2014


Entrei numa velocidade qualquer esquisita, não consigo desacelerar
e a culpa é desta coisa que vive dentro de mim, de certeza,
é esta coisa que vive dentro de mim,
a que chamo doença, mas que melhor seria chamar-lhe persistência
Acho que é por isso que os médicos não conseguem ajudar-me
procuram uma patologia
e eu até sem o diagnóstico consigo prever a cura
A minha cura tem um nome
FALÊNCIA
Embora o corpo teime em prosperar
mesmo sem investimento continua a dar lucro
e não é por minha vontade, acreditem,
simplesmente não consegue desistir
Não consegue parar

Quanto tempo dura uma geração?
in Deus existe; a culpa é nossa.

domingo, 27 de julho de 2014

Podes achar estúpido o que eu vou perguntar
mas enquanto não arranjo tempo para visitar os meus amigos
a sério
tenho de falar contigo
imagina que és o meu amigo anónimo e colectivo
faz de conta que sou o quem quer ser milionário
e tu a minha ajuda de público
só tens de ouvir até ao final ou até podes estar a ver outra coisa em simultâneo
desde que pareça que me estás a ouvir 
só preciso disso
é essa a tua ajuda
não te custa nada para além do tempo
só te peço um minuto e meio no máximo
eu sei que o tempo é caro
nunca me esqueço disso
é por isso que não visito os meus amigos
a sério
não quero que a gente se gaste e o tempo passe
se precisares de alguma coisa em troca
estou disponível
desde que não seja dinheiro
sou muito bom a fazer favores
posso dar-te o link de uma massagem ou tratar da actualização do teu estado
não tenhas problemas em aceitar
as relações são transações económicas
e não há mal nenhum nisso
trocas de serviços
entendes?
promete ler até ao fim o que tenho para dizer
não precisas de responder
basta que fiques calado e penses nisso
tomo o teu silêncio como garantia de leitura
quanto tempo dura uma geração?

in Formigueiro.
Podes achar estúpido o que eu vou perguntar
mas enquanto não arranjo tempo para visitar os meus amigos
a sério
tenho de falar contigo
imagina que és o meu amigo anónimo e colectivo
faz de conta que sou o quem quer ser milionário
e tu a minha ajuda de público
só tens de ouvir até ao final ou até podes estar a ver outra coisa em simultâneo
desde que pareça que me estás a ouvir 
só preciso disso
é essa a tua ajuda
não te custa nada para além do tempo
só te peço um minuto e meio no máximo
eu sei que o tempo é caro
nunca me esqueço disso
é por isso que não visito os meus amigos
a sério
não quero que a gente se gaste e o tempo passe
se precisares de alguma coisa em troca
estou disponível
desde que não seja dinheiro
sou muito bom a fazer favores
posso dar-te o link de uma massagem ou tratar da actualização do teu site
não tenhas problemas em aceitar
as relações são transações económicas
e não há mal nenhum nisso
trocas de serviços
entendes?
promete ler até ao fim o que tenho para dizer
não precisas de responder
basta que fiques calado e penses nisso
tomo o teu silêncio como garantia de leitura
quanto tempo dura uma geração?

in Formigueiro.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Faz pontaria aos pássaros.
Compra uma espingarda e desata ao tiro. 
São animais que metem asco; terror de asas. 
Conhecem lugares que só podes imaginar. E fazem troça dos toutiços calvos. 
Só uma vez lhes achei graça: cagaram-te em cima, quando te baixaste para me devolveres a aliança. 
A natureza é sempre certeira; mesmo a do esgoto. 
As alianças não se devolvem. Desfazem-se.
É ácida a pontaria.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Vou escrever no muro: gosto (de ti). Por extenso, sem expectativas. Limpo e doce. Junto apenas uma prescrição: transfusões de morangos pela boca; eficaz na anemia.
A luz que subverte a escuridão; revela cores.
Verbalizo: A m o r. E tudo amornece. 
Cá dentro abre-se uma toranja. Vitaminas contra as doenças do frio.
A m o r. 
Fingir que se dorme ao colo do pai durante o Inverno. Permanecer amada.
Derreto-me. 
Tenho sempre cinco anos; apesar de tudo. 
Fiquei naquele momento, 
antes de aprender a ler. 
É preciso verbalizar muitas vezes: 
Amor
Amor
Amor.
E tratá-lo não como palavra, mas sintaxe.
Não dês músculo. Revende esse órgão.
Dá uma boa maquia. Aqui ou no estrangeiro de terceiro mundo.
No buraco que resta - minibar de poucas estrelas - há água das pedras e limão. Podes comprá-la. E bebê-la. Aproveita enquanto está fresca. 
E se tiveres uma indigestão e caíres morto, que se foda. 
Um corpo sem aquilo que vendeste
é só um caixote que tomba.

Deita-te sobre a barriga, as mamas acabam por adormecer.