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segunda-feira, 20 de setembro de 2010


os dias são longos e nós cada vez estamos mais velhos

qualquer dia morremos.


(escrito num caderno meu aos 6 anos de idade, guardado pela mãe numa gaveta da sala)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010


no liceu

usava o jornal debaixo do braço

queria entender as notícias


gastei semanadas

em papel impresso a preto e branco

com histórias que não entendia

política e afins

ler puramente

fazer o exercício de juntar sílabas

apenas


sou chefe de redacção das minha ideias

tenho dias


terça-feira, 7 de setembro de 2010


tentei várias poses de sono

fetal

direita e esquerda

escachada de umbigo apontando o tecto

e nada


só desligo o interruptor

de barriga virada para baixo

conto até quarenta mil e um

a luz apaga-se

continuo a brincar às escondidas comigo própria

não sei se gosto

segunda-feira, 6 de setembro de 2010


se houver paraíso

um dia

quando eu morrer

quero um terraço sem vista

e pemitam-me o estrangeirismo

uma chaise-longue

e uma manta

não quero lá mais ninguém

sozinha

acompanhada de todos os livros que não terei tempo para ler em vida



quem disse que a realidade é mais interessante do que a ficção?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010


tenho a certeza que um dia

vou gostar de feijões

segunda-feira, 23 de agosto de 2010


deixa a luz de presença acesa


fica escuro na cabeça

uma nesga de visão apenas

miopias de carência

e pensamentos investimento

transporte de alta velocidade


quando um dia voltar à infância

ao ver-me sem soutien nem blusa

orgulhar-me-ei
tábua rasa do que fui

peito e nuca

quinta-feira, 15 de julho de 2010





cresci numa divisão única
num quarto minguante
3 adultos e meio por metro quadrado

cozinha
a um passo em frente
sanita
a um passo ao lado
e na vigia
um cão pendente chamado pluto

eu fugi à catequese
por terror à freira Júlia
não entendia o sorriso colado aos dentes
era mentira
via-se francamente

depois furei as orelhas à pistola e pus-me a chorar baixinho no degrau da igreja
jurei que morreria um dia