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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

E pensar é difícil, quem o diz não sou eu, mas o Deleuze. Não me considero um pensador, um filósofo, enfim, um onanista do intelecto. Não passo de um punheteiro de considerações fugazes, mas um dia, quem sabe, talvez chegue a grandes masturbações, sem ejacular, sequer. Tornar-se-ão ideias de reserva, só minhas, mas até lá permitam-me vir convosco. Estão a acompanhar?
in Circle Jerk de Cláudia Lucas Chéu

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

puta que pariu a crise
capitalismo capitalismo capitalismo
a europa é uma bolsa de valores rasgada
puta que pariu a europa
feira de antiguidades podre
capitalismo capitalismo capitalismo
puta que pariu os americanos
os sul americanos
os da áfrica e os da ásia
basta-nos um visa não precisamos de identidade
capitalismo capitalismo capitalismo

Afinal que puta é que pariu esta merda toda?

sábado, 16 de julho de 2011


Actriz

São horas, estimados desconhecidos, são horas.

De brindar a mim e a vós – tchim tchim!

Quem aqui está diante de vossos olhos,

é uma mulher – actriz de profissão e amadora de tábuas – que não se deixa intimidar.

Em vez de recuar, avança firme para a festa.

São horas, estimados desconhecidos, de vos prôpor um brinde

- regado a champanhe, claro está -

à nossa imensa alegria e a esta falsa modéstia:

vossa por fingirem nada esperar

e minha por me esticar no embaraço.

(Bebe champanhe)

Esta mulher – de carácter curioso - muitas vezes se pergunta:

- Andamos sempre à procura da verdade? Que mal tem a mentira?

- Que mal nos fez?

Estimados desconhecidos, retórica pura. Adiante.

Quem aqui está diante de vós,

intérprete e debitadora de palavras alheias, deseja que este jogo comece, agora.

E depois veremos,

se mais iludido é aquele que faz ou o que consente apenas.

Tchim tchim!

À minha, estimados desconhecidos, à minha.

Com a vossa licença, começo eu.

in Irene de Cláudia Lucas Chéu

quinta-feira, 9 de junho de 2011


conheceu o pai aos quarenta
e quer dar seguimento ao seu legado
são criativos os desígnios dos afectos
e devemos desconfiar da genética

precisamos de uma bolsa para empreender o futuro
antes que venha o Inverno
e a gravidade nos puxe para a cova
sempre achei que os linfomas não apreciam o frio

sexta-feira, 13 de maio de 2011


o acanhamento asfixia
portanto
despe-te
põe-te nua
ninguém te vai penetrar a cabeça com ideias sujas
há nódoas que são condecorações
acredita
sinais na pele
que algum deus marcou deixando uma pista




sábado, 16 de abril de 2011



sou um guardanapo de linho
com as iniciais bordadas a branco
a minha existência é apenas uma textura invisível
que recolhe gordura dos lábios
amacia colos e peitos

desejo de candura e branco
numa santíssima refeição
aristocrático linho
soberano tecido na hierarquia do limpo

sou um acessório na tua mesa
o mais dispendioso dos pormenores
a minha presença notar-se-á no esquecimento
ninguém escreverá a tinta sobre a minha superfície
não sou de papel

LINHO MADE IN LINHÓ



segunda-feira, 4 de abril de 2011




Nunca usei um bibe de tafetá

Faço chazinhos de plástico e mastigo bolinhos invisíveis

Sou a Barbie vegetariana

Esta filha é nova

A antiga levou um tiro


Tenho pedra nos dentes mas rio-me mostrando os caninos

Uma vez matei uma mosca