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sábado, 26 de dezembro de 2009

o queijo dentro do queijo ou o paralelo infinito


O teatro dentro do teatro é um queijo cuja sobredosagem poderá provocar alzheimer nos seus consumidores, pois segundo a tradição o seu consumo excessivo resulta em esquecimento. É um produto muito fabricado e consumido, mas dada a sua digestão dificil e o alto índice de gordura latente é como comer uma coisa que já sabemos que é boa mas que nos cai mal, embora a comamos sempre que se nos depara diante nós. Cada peça de teatro é apenas como um pequeno triângulo do grande queijo da História do Teatro, mas que em si mesma constituiu um queijo uno e independente, no fundo é o queijo dentro do queijo ou seja o princípio do infinito. Dentro desse triângulo há muitas vezes um outro que se mostra sendo o teatral assumido e que faz com que o "grande queijo" pareça igual à vida. A coisa que mais me interessa neste formato é o escancarar as cenas ao espectador/leitor e o mostrar a sua construção sem qualquer espécie de teatrice, pois acredito que só desta forma é possível que o texto de teatro contemporâneo comunique directamente com a estrutura cénica e com os possíveis espectadores.
No que diz respeito a este tipo de queijo/texto, acredito que continue a servir de ratoeira para apanhar alguns espectadores mais conservadores. O queijo vem bem embalado, igualzinho a qualquer outro. Portanto, só o podem cheirar depois de aberto.
Pois para mim, deixemos o teatro ao quadrado e passemos a escrever e a criar o dentro, ou seja o assumir completamente a não teatralidade, o aqui e o agora. Olhar para os actores e escrever para pessoas reais que existem na cena. As personagens já morreram. Bom, mas nem todos os queijos agradam a toda a gente, eu cá sei bem do que gosto.