Número total de visualizações de página

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O onanismo é a nova geografia do mundo?

Existe algum momento que represente melhor o fluxo, do que o acto sexual solitário ou acompanhado? Penso que não. A forma de acedermos ao inconsciente é através da líbido, por isso um artista que funciona em fluxo, usa muito mais o corpo do que a mente. Também o cérebro é um orgão real, concreto e as ideias surgem de choques eléctricos entre as veias, tal como as sílabas que imprimimos no papel, inconscientes do momento da criação. O cérebro também é corpo. O corpo, sobretudo numa sociedade de consumo representa-se pelo sexo e não pelas relações, expressa a analogia entre a troca comercial e a sexual, que na nossa contemporaneidade, é a mesma coisa. O meu corpo é um objecto de troca, o meu sexo vale tanto como o meu cérebro, porque tudo é objectificado. Eis alguns dos príncipios primários: comer e foder. Em ambos, é também vísivel uma organicidade do racíocinio e a isso chamo fluxo. Longe de ser um racíocinio narrativo (pois a memória não funciona assim), o nosso cérebro é associativo ao criar. Os objectos associam-se de forma espontânea, orgânica. Falemos da revolução que não nos deixa livres no mundo e da guerra de estar fechado numa cozinha. Uma e outra falam do mesmo. O artista contemporâneo está em guerra com o corpo e em revolução com as palavras. Que avancem, ambas. Não queremos continuar enclausurados no onanismo.