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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010


onde há corpo habita a lama
a dislexia da alma
não há lodo para enfiar as mãos
e sujá-las
na imagem és só desenho
sem o corpo nu debaixo da roupa
no écran
no outro lado da imagem
nunca te despes
e sem corpo existes

comprei-te pilhas e baterias de voz
sei que estás triste e um andróide não pode chorar
sei que queres fazer amor com saliva e suor a escorrer-te das bocas
não temos um quarto com paredes


na poesia visceral reside o vómito
a escatologia da palavra
é o veneno que vais tomar
e regurgitar de prazer
ao deixar uma nota
um bilhete
numa rede social a dizer
adeus

deixa-me então vinte anos agarrada à moldura
penélope sem filhos
sem reprodução possível que me salve
on line
na linha
sem agulha real para me coser
e emudecer sozinha