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terça-feira, 5 de junho de 2012



Se soubesse o turbilhão que vai dentro da minha cabeça, na impossibilidade de me refrear os miolos tocando-os com os dedos, beijava-me a nuca. A minha experiência da inquietação é igual à sua. Começa por ser apenas uma indigestão de emoções, comeu um desejo estragado e aquilo começa a azedar, horas mais tarde, no pico do calor, que é quando as digestões se tornam difíceis. Se tiver a felicidade de completar a digestão e passar para a fase seguinte, fica cheio de flatulências, a vergonha em estado gasoso, e só mais tarde acabará por livrar-se dessas putrefacções pela via das fezes. Se por outro lado, ficar retido nesse processo digestivo, verá que se sente cada vez mais imobilizado: os músculos, os tendões e os ossos, até ser uma nesga de pessoa e apagar-se. 
Não estou a falar da ansiedade, isso é coisa de meninas em vésperas da menstruação, refiro-me à inquietação, àquela coisa fininha, à cárie que já atingiu o nervo. Disso pode morrer-se, acredite-me. E no mínimo, aleija.