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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009



O vestido azul escuro de seda teve de ser trocado, estava-me grande. Está-me grande. Ofereceram-mo numa caixa de papelão daquelas quadradas, apenas fechadas por uma fita de tecido fazendo um laço. Sempre sonhei receber uma caixa assim, uma fantasia. Desde miúda que esperava pela caixa do presente. Mais do que o próprio presente, a caixa.
Eu tinha quatro ou cinco anos, já não sei e o meu pai, na época carpinteiro de profissão, construiu-me pelo natal um quadro de ardósia em tamanho grande, um banquinho para me poder sentar nele e desenhar horas a fio e ainda um pequeno apagador que fazia da minha imaginação e criação plástica práticas infinitas. Não houve possibilidade de embrulhar tudo isto devido às dimensões do conjunto, por isso o meu pai e a minha mãe colocaram por cima dele um lençol branco. Quando entrei no quarto, apenas vi coberto um volume enorme e aproximei-me a medo daquilo que disseram ser o meu presente de Natal.
Eles não tinham dinheiro para comprar nada, excepto comida e talvez algum tabaco para queimar o tempo. Aquele presente foi construído durante semanas, com trabalho árduo, horas fora da hora, material surripiado da carpintaria, restos, com amor. E só por isso, perdoo-lhes não o terem posto numa caixa de cartão. Foi o melhor presente que recebi. Na vida.
Devolvi o vestido por não me servir, guardei a caixa, ali no quarto e vou lá pôr as cartas que me escreves sempre que estás muito perto de mim. Recebo cartas quando nos olhos olhamos, assim fechados num mesmo envelope.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009




A primeira palavra que eu disse foi avô. A minha mãe aguardava ansiosa por uma reacção minha, empoleirada no parapeito do meu berço cor-de-laranja e soletrava-me entusiasticamente: M-Ã-E. Após um curto silêncio eu disse: A BÔ. Esclareci desde logo o facto de eu ser uma pessoa e de ter vontades próprias, pois desde o berço que me recuso a papaguear.
Bom, deixei de chuchar no dedo a semana passada porque tive vergonha de o fazer ao pé dos putos da creche. Parece impossível, mas não há lá mais ninguém que tenha este hábito tão especial de estar em contacto directo com o seu próprio pulgar. Para me vingar deste desajuste social, fugi da creche. Estou sentada na sanita pequenina e penso como é que me poderei escapulir desta prisão discriminatória, onde não posso comportar-me livremente. Vejo as educadoras entretidas nos baloiços com os outros miúdos, despeço-me secretamente do Sérgio Filipe com um sorriso cúmplice e saio a correr pelas traseiras em direcção à casa dos meus avós. Ando uns metros e começo a chorar de entusiasmo e medo, sempre a correr, sem parar, lembro-me que não sei bem o caminho de volta para casa, mas nada me pode deter, por isso a correria prossegue até esbarrar com um casal de velhos que querem ser simpáticos comigo e encontrar-me a mãe de quem julgam que me perdi. Cabrões dos velhos. De volta à creche, muito envergonhada pela minha fuga frustrada e ainda tive de pedir desculpa aos velhos por ter mentido.
O meu avô é um velho muito simpático e tenho pena, ou melhor, oiço a minha mãe dizer que é pena ele ser bêbedo. Eu nunca o vi chateado por causa disso, quando cheira a vinho da boca é um bocado esquisito, sai-lhe um aroma a dar pró azedo, mas fica sempre muito bem disposto. Põe os vinis a tocar na varanda e canta muito alto mesmo que seja de noite. Eu gosto de estar lá com ele a cantar "Avante Camarada, Avante! Junta a tua à nossa voz! Avante Camarada, avante Camarada e o sol brilhará para todos nós". A minha avó é que não acha graça nenhuma e põe-se aos gritos com ele, às vezes até diz palavrões. A minha avó já me contou que ele quando era novo era muito mau e que lhe batia e que agora só não lhe bate porque está velho e já não tem força. Eu olho para ele a cantar na varanda e custa-me muito acreditar nisso. Custa-me.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009



Ana é a minha amiga capicua. Nasceu um mês depois de mim, mas é mais alta e tem mais cabelos brancos. Ana é silenciosa, sensata e bonita. Dormimos muitas vezes juntas e ela costumava ficar a olhar para mim enquanto adormecia. Às vezes tinha medo.

Vejo nela o meu crescimento e o meu envelhecimento. Ana é um espelho da minha imagem, porque nela consigo ver o que já fui, o que sou agora e que afinal é tudo a mesma coisa. As primeiras rugas: a nossa cara está a ficar amarrotada pelos dias que passam. Não nos vemos muito, apesar de morarmos perto. Não sei se penso nela, se me lembro dela, acho que faz parte de mim de uma forma intrínseca, como uma irmã. Foi nela que nasceu para mim a palavra ternura, um sentimento pueril que senti existir entre nós.

Um dia, bebemos demais e ficámos deitadas num passeio a tirar fotografias conjuntas e a rir. Caladas. Como no dia em que fiquei na sua casa a chorar no quarto ao lado do dela por já ser tão grande. Chamo-lhe amiga capicua pelo enigma que representam os seus olhos e por ser igual estar perto dela no principio e suponho que no fim das coisas.

chá

pretexto para trocarmos risos de açúcar

em cor-de-rosa sentadas

somos mulheres a segredar desejos

com medo de crescermos mais que os sapatos


de tesão

barram-se os scones

quentinhos

e as migalhas ficam presas nos dentes

os cigarros vão queimando no cinzeiro

deixando cinza e fumo

o aquecimento está ligado


não há silêncios

nunca

as palavras circulam de boca em boca

vivas

excepto quando se sopra e se leva

a chávena à boca


sábado, 26 de dezembro de 2009

o queijo dentro do queijo ou o paralelo infinito


O teatro dentro do teatro é um queijo cuja sobredosagem poderá provocar alzheimer nos seus consumidores, pois segundo a tradição o seu consumo excessivo resulta em esquecimento. É um produto muito fabricado e consumido, mas dada a sua digestão dificil e o alto índice de gordura latente é como comer uma coisa que já sabemos que é boa mas que nos cai mal, embora a comamos sempre que se nos depara diante nós. Cada peça de teatro é apenas como um pequeno triângulo do grande queijo da História do Teatro, mas que em si mesma constituiu um queijo uno e independente, no fundo é o queijo dentro do queijo ou seja o princípio do infinito. Dentro desse triângulo há muitas vezes um outro que se mostra sendo o teatral assumido e que faz com que o "grande queijo" pareça igual à vida. A coisa que mais me interessa neste formato é o escancarar as cenas ao espectador/leitor e o mostrar a sua construção sem qualquer espécie de teatrice, pois acredito que só desta forma é possível que o texto de teatro contemporâneo comunique directamente com a estrutura cénica e com os possíveis espectadores.
No que diz respeito a este tipo de queijo/texto, acredito que continue a servir de ratoeira para apanhar alguns espectadores mais conservadores. O queijo vem bem embalado, igualzinho a qualquer outro. Portanto, só o podem cheirar depois de aberto.
Pois para mim, deixemos o teatro ao quadrado e passemos a escrever e a criar o dentro, ou seja o assumir completamente a não teatralidade, o aqui e o agora. Olhar para os actores e escrever para pessoas reais que existem na cena. As personagens já morreram. Bom, mas nem todos os queijos agradam a toda a gente, eu cá sei bem do que gosto.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009


a dentura da avó tirou férias na ceia de natal
oh fiha
o bacalhau é tenrinho e as batatas esmagam-se com as couves

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

escrevo linhas

tenho a sensação de me ter visto nas palavras escritas

procurei nos pensamentos que não consegui apaziguar
o vocabulário certo
será que existe?
e tive medo de ver no teclado só o alfabeto desorganizado

será que sou uma espécie de citador online?
ai esta incapacidade de dizê-lo bem

por isso escrevo
escrevo
porque dos dedos pingam algarismos
quantidades de ternura
volumes de corpos
em nudez absoluta
porque ver-me em aglomerados pontinhos pretos é olhar para mim despida ao espelho

tão nua
jamais verei fotográfica
a imagem de mim

sou amor
apenas isso
a mor
aquela que é

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

cruxificação branca-Marc Chagall







afinal sou um



pisca-polos



à procura da voltagem certa



entre carrinhos de compras



e cheques passados



carecas







quando for velha vou ser um pisca-pisca armado num pinheiro escandinavo
























domingo, 20 de dezembro de 2009

falência imunitária

(banhistas de Pablo Picasso-1922)
ter febre é estar muito quentinho no corpo todo e ter as palavras a pairar não dentro, mas à volta da cabeça. tudo nos passa ao lado, entre termómetros e chazinhos terapêuticos, desde que nos deixem praticar aquele desporto meditativo horizontal, a vida parece ter voltado ao seu estado mais essencial e puro: não pensar.


a linha cinzenta metálica ultrapassa os 39ºc. está deitada no sofá da mãe e começa a dizer palavras desconexas, coisas que já aconteceram na sua cabeça e para si são iguais às que aconteceram na vida. a mãe corre para o quarto-de-banho e começa a encher a banheira com água fria. tenta convencê-la a despir-se para entrar nela, mas a filha está febril de alegria e ri-se, gargalha perante a possibilidade de entrar para aquilo que, em seu entender, é uma piscina. vai direita ao quarto e arranca o pijama do corpo, depois põe na cabeça a touca de natação e faz aquecimento de pernas e coluna. entra no quarto-de-banho, diz, estou pronta e mergulha a cabeça e só a cabeça na água fria. a mãe que ficara atónita perante tão estranha figura, ralha-lhe o disparate e vai buscar um toalhão para lhe pôr por cima. volta então para o sofá e diz: a islândia é fabulosa. pena estar falida.
















































sábado, 19 de dezembro de 2009

sir matias



Conhecemo-nos em Sintra. Eu andava a tentar mudar de profissão, sem sequer dar bem por isso, e tu estavas a cumprir pena, infelizmente sem prazo de soltura à vista. Não trocámos correspondência, nem números de telemóvel. Vimo-nos e apaixonámo-nos. Eu que nunca acreditei no amor somente pela empatia visual, fui obrigada a engolir-te pelos olhos logo no primeiro encontro. Ia à procura de uma criatura ainda nova, que se acostumasse rapidamente às manias de um par de donos com profissões liberais (leia-se disfuncionais) e saiste-me tu na rifa do amor canino. Tu, com 30 kg de euforia no lombo, um hiperactivo das jaulas (sempre achei mais apropriado dizer terrorista) e já com um ano de existência que na realidade equivalia a sete.

Alguém se fartou de ti. Foi isso. Tiveste graça enquanto foste igualzinho ao do anúncio, mas depois as tuas bostas de quilo e meio não são nada glamourosas. Vinhas triste e nervoso, mas mal entraste no carro sentaste-te no banco ao lado do meu e encostaste tranquilo a cabeça ao meu ombro. Eu que vinha de óculos escuros e que mal te conhecia, tive que desembaciar os olhos. A primeira refeição que fizeste lá em casa foram umas lâmpadas que ainda estavam embaladas, foi aí que eu percebi a razão da nossa empatia imediata: sir matias, era um ser iluminado.

menina plath


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

divino melancólico


surpreendo-te com pessoa debaixo do braço

tenho um vestido curto

preto

nada sabia das heteronímias

jurei que ele era só um

e que os outros só serviam para trocar postais

ir à bica


aos dezasseis anos

assinei nos livros o meu nome

mas inventei a data

o dia

nunca quis um gps da memória

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

loiça na máquina


tendes detergente em pó ou em cápsulas

escolhei

tendes temporizadores como válvulas peitorais

e contas para pagar em vez de campainhas

e orgasmos vendidos em pacote com picotados

mas não esqueceis a loiça na máquina


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Avant-garde ou a Batalha do Presente




Vivemos sem dúvida, numa época atípica, descaracterizada de estilo e "a suspensão das utopias" dá uma tonalidade albina às emergentes vanguardas. Batalhar pelo presente, confere-nos uma justeza e honestidade sem par (damos enquanto artistas apenas o que somos em determinado momento), mas é também estar unicamente disponível para o que é concreto. Creio que a suspensão das utopias está associada à máxima bíblica: "ver para crer". Contudo, para ver aquilo que ainda não nasceu, a batalha tem de estabelecer-se entre o eu no presente e um pouco de graduação. Não creio que possamos continuar por muito mais tempo, míopes do futuro.

No teatro, a questão é sintomática. Do ponto de vista do actor, fazer teatro contemporâneo (e não me refiro aos performáticos) é abolir a ideia de personagem. Não existe uma identidade fícticia que temos de criar num espectáculo, usando o corpo e a imaginação. O "actor do século XXI", serve apenas o texto, o papel e expõe-se em absoluto na cena. Apropria-se das palavras do autor e afirma apenas a única certeza que lhe é permitida ter enquanto artista: eu, aqui e agora.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

o meu reino por um bibe




Hoje olhei para o senhor da mercearia e reparei que tinha uma bata verde. Fico sempre tão distraída com o bigode farfalhudo, que nunca tinha reparado na indumentária do senhor.

Desde miúda que sempre quis ter um bibe, uma espécie de singular masculino da bata. Um bibe na infância era um aval de convivência vigiada. Uma senha de vestuário que se partilhava com os outros meninos aparentemente à solta. Nunca tive um bibe, nem essa tranquila pseudo-liberdade.

Eu tinha o cabelo curto-barbearia e trepava paragens de autocarros. Em dias excepcionalmente felizes, o meu tio Nini desafiava-me para o break-dance, que consistia em barrarmos o chão da cozinha com manteiga Planta e deslizarmos desde a porta até à parede da varanda, ao som de vinis muito marados. A parte mais perigosa da actividade consistia na limpeza do chão, mas deixávamos esse risco para a avó assim que chegasse a casa. Sempre sujei a minha própria roupa, não havia nenhuma peça de vestuário sagrada que eu pudesse poupar. Mas gostava de ter tido um bibe, daqueles vermelhos aos quadradinho com o meu nome bordado à mão. Já as batas, confesso que dispenso. Estreei-me a trabalhar com uma dessas brancas. Da experiência a única coisa que recordo é uma boca aberta e cariada.






domingo, 13 de dezembro de 2009

certificado de artista



o certificado do artista
é
um enlatado
num armazém estatal
fora do prazo

sábado, 12 de dezembro de 2009

Christiane F.


Ontem assisti à versão cinematográfica alemã de Christiane F. A expectativa era grande, pois este foi um dos livros que mais marcou o início da minha adolescência (a par do erótico Henry&June de Anaïs Nin). Tinha exactamente treze anos (os mesmos da protagonista da estória), quando li Os Filhos da Droga, escrito na primeira pessoa e que neste caso deu origem ao nome do filme.
Aos treze anos fiquei absolutamente fascinada, atraída pelo universo das drogas, embora o medo sempre me tivesse retraído o suficiente para não me deixar avançar. Depois, todo o universo cool que ia das roupas (skinny jeans e blusões) à música, passando por uma postura física de errante criatura, era extremamente atraente.
Quase 20 anos depois, visualizei a estória em filme. Aquilo que a minha imaginação tinha criado com grande beleza (embora o resultado do filme não seja de todo decepcionante), ficou guardado nas memórias da puberdade. Vi no filme Christiane F., uma rapariga como tantas outras que consomem drogas, empoleirada no abismo. Aquilo que o livro me tinha dado de peculiar (a excepcionalidade desta rapariga, diferente de todas as outras), o filme retirou-me com um duro realismo. No filme, Christiane F. é apenas uma miúda drogada, que por sorte conseguiu safar-se. O filme é muito claro. Para quem leu a obra, complementar com o dvd é uma experiência enriquecedora.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

dieta


eu gosto de doces
e salgados
não sou esquisita de boca
salivar faz-me sentir viva
e dou ao rabo quando enfrento um bom bife


gosto tanto de comer
tudo o que me servem me anima
e tenho fé
nunca duvido
deste metabolismo rosa mota


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Nobel da Paz







Uma frase para o Nobel da Paz de 2009:
O paradoxo perfeito.

Um sintoma:
Cegueira parcial.

O efeito secundário garantido:
Náuseas.










quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Agora é que é



Vou tentar dedicar-me a isto.
E para abrir a temporada bloguista, aí vai a notícia que resume a minha infância:

Uma criança de dois anos e cinco meses, dos arredores de Lisboa, obteve num teste de QI (coeficiente de inteligência) uma pontuação equivalente à dos físicos Albert Einstein e Stephen Hawking. Os testes de vocabulário e com números, comprovaram que Cláudia Lucas Chéu faz parte dos dois por cento da população com QI mais alto. Cláudia tornou-se na mais jovem criança a fazer parte da Mensa, a sociedade que reúne pessoas com QI alto. O membro mais jovem da Mensa é Mafalda Ribeiro, da Calhandriz, a norte de Lisboa.

António Chéu, o pai da criança, disse ao Diário das Notícias que através da Mensa espera poder encontrar outros pais de crianças com QI alto que o «ajudem» a criar a filha. Como a criança ainda é muito jovem para frequentar a escola, deverá ser educada em casa. A mãe do pequeno génio, disse que, no início, pensou que sua filha era apenas «uma criança muito inteligente», mas que, aos 18 meses, a criança já se destacava.«Aos 18 meses eles devem conhecer por volta de 20 palavras. Nós começamos a fazer uma lista e parámos no número 600. Eram resmas e resmas de papel», disse.

Diário das Notícias-1980

domingo, 8 de fevereiro de 2009




AUTORA/ ENCENADORA:
CLÁUDIA LUCAS CHÉU nasceu a 3 de Janeiro de 1978 em Lisboa. Frequentou o 3º ano do curso de Línguas e Literaturas Modernas onde fundou o Grupesco. Concluiu o curso de formação de actores da Escola Superior de Teatro e Cinema e estreou-se profissionalmente no Teatro Aberto na peça Peer Gynt de Ibsen. Em teatro trabalhou com João Lourenço, João Brites, Rogério de Carvalho, Francisco Salgado, Alexandre Lyra Leite, Anatholy Praudin, entre outros. Na área performativa trabalhou com Mónica Calle e com John Romão. Participou em duas curtas-metragens de Christine Félix. Em televisão participou em O Último Beijo, Amanhecer, Anjo Selvagem, Morangos com Açúcar e Liberdade 21. Fez direcção de actores nas séries IV e V de Morangos Com Açúcar e dá workshops de formação para jovens actores na NBP. Estreou-se na encenação no teatro S.Luíz com Poltrona um texto da sua autoria inserido no ciclo de Jovens Actores.